Rayra (1)A gente nunca sabe muito bem sobre o fim das coisas. É só se distrair um tiquinho e puff, o filme acabou, o sorvete derreteu, e a festa esta no fim. Mas eu não sou desse gente que se conforma com o fim das coisas não. Muito pelo contrário. Acredito e sou a favor dos começos. Porque o fim de um caminho sempre nos levará ao começo de outro, é quase que um ciclo vicioso. Nunca fiz muitos planos pra vida. Achei que ela simplesmente aconteceria no seu  tempo e da forma que deve ser. Sempre soube que viver é receber surpresas todos os dias. Algumas boas, e outras nem tanto. Entre sorrisos e lágrimas superamos os dias, vencemos batalhas e se deliciamos com o doce prazer de estar vivo. Por mais que não tentasse ser extremista, sempre quis viver ao máximo cada dia, cada momento. Nem saberia comparar a que a intensidade. Julgada como louca e rebelde sem causa por muitos, para mim, eu era só, eu mesma. A questão é que os 17, 18, 19, 20 anos, passam. Não sei se é a maturidade, ou se são as fases da vida. Ainda quero aproveitar o máximo de todos os momentos, mas são tão outros momentos agora. Se tornar adulto, foi a coisa mais dolorida que já me aconteceu, e vou te contar, levou tempo. Levou, bastante tempo. Quando a gente cresce, passa a aceitar. Aceitar que a vida é quem decide as coisas. Podemos sim, interferir, mas é ela quem manda. Talvez a pessoa que você julga certa pra você, vai se casar com seu melhor amigo. Talvez você faça uma viagem pra Tailândia e conheça seu grande amor. Nada faz muito sentido por aqui. E sobre o fim das coisas, tomei decisões. Pra mim, todas elas podem ter fim, menos o amor. O amor, deve ser dividido por estradas novas, caminhos a serem trilhados, sempre a dois. Eu que nunca fui de fazer planos. Cheguei ao fim de uma estrada solitária. Prefiro caminhar de mãos dadas. Acredito que quando o sorvete chegar ao fim, a gente pode fazer pipoca. E quando o filme acabar, que tal passear no parque? A questão é não deixar nada morrer. Eu sei que a vida nos suga muito, e que grande parte dos dias, pensamos, poxa, sozinho, talvez fosse mais fácil. Talvez fosse. Mas e onde entraria a alegria compartilhada do churrasco com os amigos nos finais de semana? Pra iriamos levar os planos de trocar o apê apertadinho por uma casa com varanda?  O que faríamos com os cachorros correndo e bagunçando todo o quintal? Onde colocaria todo o amor que trago no peito pra dar pra cada um dos meus filhotes? Sim, porque já discutimos isso, quero no minimo três! Isso é a vida. Uma enorme bagunça que foge dos nossos planos. Mas que ao mesmo tempo coloca em nosso caminho as coisas certas. O resto, a gente que precisa saber fazer direitinho. Pra ter amor. Pra ter carinho. Pra ter criança correndo pela casa. Pra ter cachorro cavando na grama. Pra ter cheiro de café no domingo de manhã e mesa cheia de gente gritando que quer a manteiga. Bem, acho que da adolescente rebelde sem causa, ainda restam os antigos gostos musicais e a fé em um mundo onde as pessoas se amem mais. Agora, existe uma mulher, cheia de força, vontade e sonhos. Ainda com alma de menina, mas que quer casa, filhos e cachorro. Quer café na cama e domingos ensolaradas de piscina. Quer dias chuvosos e pipoca com filme. Com o passar do tempo, descobri a melhor coisa do universo. A maturidade!

Publicado por: Rayra Zunino