Rayra Zunino

Na maior parte de meus dias tortos, penso em nós. Em coisas que guardo e ainda precisam ser ditas. Em coisas que são apenas coisas mesmo e acabo achando que não devem ter tanta importância assim. Na grande maioria das vezes, imagino a gente. Daqui 10, 20, 30 anos. Não sei o que vai ser. Não sei quantos filhos vamos ter, nem como será nossa casa, se ainda vamos trabalhar nas mesmas coisas. Se meu humor vai mudar pela manhã. Ou se você já terá cabelos brancos. São apenas coisas. E das coisas, a gente nunca sabe. Mas eu imagino a gente. Sem pensar no resto, o que compõe. Estamos juntos ainda, e é isso que importa. As vezes a gente passa a vida inteira se preocupando com o futuro, com o como será, e esquece que é o agora que trás felicidade. Sonhar não faz mal a ninguém. Planejar, construir, realizar, é essencial. Mas é o agora que precisa ser vivido. Tem gente, que passa a vida inteira em busca de algo, mas esquece de enxergar que o segredo esta no caminho. Não importa se você tem uma casa grande, mobiliada, ou se mora em apê pequeno, apertadinho, as coisas tem o tamanho da importância que você dá. Uma casa grande sem amor, só serve pra você enxergar o quão sozinho esta. As vezes, em nossos dias loucos e tortos, esquecemos de dizer o quanto sentimos. As vezes, esquecemos de sentir. Sempre fui a favor do ser. O ter é superficial. Creio que pós essa geração do promova o desapego, ainda irá surgir algo revolucionário. Ainda vão existir protestos por mais amor. As pessoas ainda vão entender, que o abraço apertado, o beijo com gosto de café, a intimidade de quem passou uma vida inteira juntos. Não poderão, jamais ser substituídos. Por mais avançada que a tecnologia se torne, ela jamais, irá substituir colo de mãe. Ela jamais irá criar, algo melhor e mais restaurador do que um abraço de quem a gente ama. A gente acaba vivendo uma sequencia, de dias, semanas, meses e por fim anos, sem muitas vezes não se da conta, do quão somos sortudos. Primeiro, porque são poucas as pessoas que conseguem enxergar o real valor das coisas. E depois, por termos isso que pouca gente consegue ter, a intimidade de uma vida inteira em uma sequencia curta de dias ainda vividos.

Publicado por: Rayra Zunino