Texto Rayra ZuninoSomos uma geração precoce. Crescemos acreditando que não vamos ser qualquer um. Tendo a certeza que somos especiais. Não passamos de pobres coitados, iludidos. Nos preocupamos em ser melhor. Melhor que o outro. Melhor que nós mesmos. Precisamos cursar a melhor universidade. Depois de formados, precisamos encontrar o emprego dos sonhos. E depois ter a casa que tanto desejamos, com uma decoração fantástica, aquele tipo de coisa que a gente espera a vida inteira sabe? Casar, ter filhos, ou morar sozinho com um gato ou peixinho de estimação, ou sei lá, morar você e seus livros favoritos. Não importa ao certo, quais seus maravilhosos planos pro futuro, o que importa é que eles não vão se realizar. Pelo menos, não no tempo esperado. Encontramos um grande números de pessoas passando por crises. As dos 20, depois as dos 25, as dos 30 e por ai vai. O motivo? É óbvio. Somos pressionados todos os dias por um batalhão, pais, mídia, amigos, todos esfregando em nossa cara o que poucos são nesta idade, bem sucedidos. Independente do que isso signifique pra você. Para cada um, sucesso significa uma coisa diferente. Pra mim, ser bem sucedido, não é ter dinheiro, ou fama, e muito menos ser bem visto pela “sociedade”. O sucesso, depende das ambições e desejos que cada um carrega dentro de si. Ouço falar cada dia mais, que somos uma geração triste e egoísta, talvez, temos sido influenciados a isto! Fazem com que nos importemos demais com o que vamos ser. Como se ter vinte e poucos anos e ainda não saber o que se quer da vida fosse o mesmo que estar destinado a ser um nada pro resto dos dias. Quando meus pais tinham seus 20 poucos anos, eram considerados jovens, e tinham tempo pra decidir que carreira seguir, se queriam casar ou não, se iriam ter filhos ou não. Hoje com vinte e poucos anos, somos considerados adultos, e como adultos, devemos ter todas as respostas na ponta da língua. É preciso ter opinião formada sobre tudo. É preciso construir uma carreira. É preciso estar num relacionamento. É preciso ter certeza sobre quase tudo na vida, quando ainda não temos certeza de nada. Nos tornamos crianças grandes, cada vez mais carentes e cheias de dúvidas e medos. Não posso fazer um discurso bonito, sobre a ausência do medo, ou sobre o quanto precisamos não nos importar, apesar de saber que é isso que precisamos fazer. Porque estou escrevendo isso por estar em crise, duvidar de um potencial apontado por muitos, por não saber ao certo se estou aproveitando as brechas o oportunidades da vida. De fato, alguns de nós somos privilegiados. Estamos. Nos formamos. Crescemos profissionalmente. E apesar de não estarmos como nos imaginamos depois dos 20, depois da faculdade, depois da independência, ainda assim, somos gente grande. O que acontece, é que o que buscamos, nem sempre é o que queremos. Pensamos querer aquilo, como um prêmio, mas quando chegamos lá, puff, era só isso? Sentimos um vazio, como se nos faltasse algo. Hoje, sinto inveja de gente corajosa. Gente que larga tudo sabe? Que tem coragem de mudar pro outro lado do mundo pra viver uma paixão. Que não prende a um emprego que não lhe faz bem. Gente que bate no peito e diz eu vou. Nos tornamos pessoas medrosas e presas a o que nos é seguro. Acho que só é feliz de verdade, quem tem audácia de se arriscar. Você já se perguntou, quantos sonhos largou por medo? Quem sabe meu amigo, é hora de mudar. Não vamos deixar nossos medos guardados em uma gaveta. É preferível viver tudo o que há pra viver, correndo todos os ricos e sentindo todos os frios na barriga que a vida nos trás, do que se tornar um velho frustrado e sem histórias pra contar.

Publicado por: Rayra Zunino